O fim-de-semana prolongado com o mote “4 dias, 4 países” começou com paragem em Sevilha. Um dia de calor intenso na capital Andaluza, onde almoçamos, e, algumas horas mais tarde, em que pagaria o que quer que me pedissem pelo granizado com sabor a salvação que bebi na Praça de Espanha. A vida tem um tom diferente quando está calor. E eu faço a minha sorte: o ano está a fechar-se e ainda não experienciei um dia de frio, refiro-me àquele frio concreto de inverno. Mas o calor de Sevilha é famoso pelo seu grau excepcionalmente elevado para cidade europeia e a bebida gelada apaziguou-me. Foi um pouco depois de assistirmos à dança. Estávamos na terra do Flamengo: é normal que mulheres de castanholas ali pisem o chão com o ímpeto da música, onde todo o corpo tem o ritmo do flamengo; é certo que ergam os braços em movimentos retilíneos meio vagarosos meio abruptos, de rosto fechado, sorrindo somente no final enquanto estendem um cesto de plástico para recolher as moedas. Quando a música pára continuamos a caminhar na Praça de Espanha, admirando as paredes de azulejos com o nome de cada província espanhola, os jardins, os barcos no lago, e ao olhar a água do lago vemos cardumes laranjas lá dentro. Uns passos à frente com os copos na mão sentamo-nos a observar os transeuntes, e parámos inteiramente donos daqueles instantes, daqueles momentos. Além de pessoas a pé há muitas carroças puxadas por cavalos em Sevilha. Cavalos servis apesar do seu galope denodado. Não gosto de assistir a animais escravizados e, num mundo crescente de máquinas, já nada justifica subtrair aos animais a sua dignidade. Afinal, crescemos com o propósito anímico de evoluirmos mas os entretenimentos que subjugam os animais em proveito do homem vão marcando um sentido contrário. Salvo isso, Sevilha é também animada do lado da restauração e das lojas. Depois de visitarmos as Setas (os Cogumelos) na Praça da Encarnação, a instalação de madeira com 26 metros de altura, atravessamos o portal de todos os perdões na Catedral de Sevilha. E foi interessante encontrarmos uma pequena exposição com reproduções das obras do Prado num dos jardins. Aquilo era Sevilha com orgulho na cultura Espanhola. A viagem seguiu por Gibraltar e Marrocos. No final, uma visita rápida a um Chiringuito em Tarifa para beber uma cerveja; uma paragem em Zahara de los Atunes para experimentar o melhor atum do mundo; e uma vista rápida por Cádis para um último gelado. E foi assim que aconteceu a despedida do verão.


















