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Gion, Quioto

Em Gion encontra-se, provavelmente, o Starbucks mais atípico do mundo. Então ergam-se os copos de papel para mostrar que é ali o lugar encantado onde o café tem o mesmo sabor mas que tomado do assento do chão. E as outras lojas do distrito de fachada em bambu, madeira, e telha castanha: desde guarda-chuvas, aos chás, às chaleiras, aos doces, às carpas de pendurar ao vento, aos postais, e até às caricaturas de ocasião. As personagens com que é possível cruzarmo-nos pelo simples caminhar pela rua. Mas o ex-libris do distrito é a Yasaka Pagoda, o spot a céu aberto que transforma todas as noites em estúdio de fotografia. E a atmosfera é tão agradável, que se fica ali horas sem dar conta do tempo a passar. A Pagoda há mais de 1400 anos erguida naquele lugar, incrível de todos os ângulos que se espreite, devido aos seus 5 andares ao longo de 46 metros de altura. Quioto é uma surpresa bonita para a hora em que nos despedimos. Ficou por ver o desejado Kiyomizudera Temple: razão para um dia voltar.

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Pavilhão Dourado, Kinkakuji

Para lá apanhamos um comboio e um autocarro. É curioso como os japoneses são fotogénicos em colectivo e em preto e branco. Duas horas mais tarde, chegávamos à fila dos bilhetes para o Golden Pavilion. Mas as filas no Japão têm uma característica dissemelhante. É que apesar do comprimento, não demoram a vazar. E este bilhete atípico merece qualquer tempo de espera: uma tira de papel branco com dois símbolos vermelhos e caracteres japoneses por cima. Então, entramos. Kinkakuji corresponde ao que estamos à espera. O templo fica isolado num lugar idílico, foi reconstruído em 1955, e apresenta uma arquitectura distinta nos seus 3 andares. Não é possível visitar o seu interior mas podemos vislumbrá-lo de fora de vários ângulos diferentes, percorrendo o jardim em volta. Bonito, majestoso e imaculado como tudo neste país. Parecia acabado de polir enquanto a folha de ouro luzia ao sol. Depois, percorremos o parque na direcção da saída. Ainda havia bastante que andar. Com outros templos pelo caminho, locais de oração, a asa de chá, e espaços ajardinados muitíssimo cuidados. Todos os locais icónicos são hipervisitados diariamente por Japoneses e por mais alguns turistas de outros países do mundo. A curiosidade é perceber como são tão diferentes mas não sei se descobre.

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Fushimi Irani Shrine, a passagem para o Sagrado

Atravessar do mundano para o sagrado neste templo xintoísta, símbolo de um Japão renascido onde todos se sentem bem-vindos, é uma experiência que estes mesmos todos dizem querer repetir. As raposas recebem-nos de coleira e adereços, colorida e simbolicamente, antecipando as lojinhas com múltiplos souvenirs e os restaurantes na base. Depois, as escadarias, rampas e degraus que se sucedem, com muitos japoneses nas suas práticas religiosas e quatro quilómetros de torii em várias horas com as paragens que quisermos para retomar a corrente e muita água, mas sempre em subida até às colinas. Os torii são os portões. E cada um dos portões é único no conjunto das suas inscrições, tamanho e largura. E são milhares de estruturas, compostas por 2 pilares e uma trave a ligá-los, pintados de uma cor vermelho-vivo-alaranjado que representam a aproximação entre o mundo dos homens e dos espíritos da natureza (Kami). Simbolizando, portanto, uma espécie de ascensão às divindades protectoras ancestrais. E atravessámo-los como num labirinto que nos há-de levar a um lugar ambicionado e novo. Às vezes, não vem ninguém e apressamo-nos a tentar a foto perfeita: apenas nós e os portões. Mas, entre tantos turistas e curiosos, é difícil haver essa oportunidade. No cimo do Monte Inari, a 233 metros de altura, estão dezenas de milhares de túmulos. O caminho é longo com incontáveis pessoas em procissão mas não custa fazer. Alguns já vêm a descer em direcção contrária. São na verdade, muitas as pessoas em ambos os lados. Empurramo-nos em espírito, aliados à vontade dos outros e ninguém se atropela. Coisas que se fazem em comunhão com a natureza, com o Sol que raiava nesse fantástico 3 de Maio de 2019, e talvez com algo ainda maior. Porque há coisas que nos guiam sem grande explicação no nosso dia-a-dia até nos questionarmos sobre tudo o que sentimos porém que não vemos. Depois apetece comunicar com aquilo, normalmente olhamos para o céu, a pensar nas perguntas que haveria para responder, acreditando que se pode saber tudo. Às vezes, a comunicação divina parece tão evidente como a Oliwia Mortel a falar com Deus enquanto canta Miserere. E eu a lembrar-me disto com a alegria comigo a subir os degraus num continente diferente do meu e num país tão longe mas onde me senti imediatamente em casa. E era assim que acontecia debaixo dos portões escarlate, passava-se do plano terreno para o lugar onde os outros também iam. A seguir descíamos ao sabor dos portões alinhadíssimos, num caminho onde ninguém se enganava, mesmo a tempo de abandonar o calçado e sentar à mesma altura a que os pés descansam no chão para almoçar.

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