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Arashiyama, o sítio mais bonito do mundo, a seguir ao outro e ao outro…

Vontade de ficar ali. Contemplar o que o mundo mostra. Mas primeiro atravessar a pequena floresta de bambus: um trilho curioso mas que não corta a respiração a quem já viu e tocou nos grossos troncos dos bambus gigantes do Jardim de Balata. Embora que, aqui, acresça a nipocultura: os rickshaw que abundam, apesar de o caminho ser estreito e curto, levando os carros num corredor paralelo até desembocarem junto a um cemitério atípico que se vê entre a paisagem de canas. No início, os já habituais quiosques que vendem ora mariscos ora doces tradicionais ou mesmo os fotografáveis copinhos com gelados. A seguir são lojas de chinelos, chapéus, leques e outros acessórios. E depois os templos, as pessoas e a sua interação religiosa com as mensagens da fortuna penduradas nos portões dos desejos. Em Arashiyama parece andar toda a gente na rua, trago uma menina vestidas de quimono que aceita ficar numa foto comigo e, finalmente, cruzo-me com gueixas. Inconfundíveis pela sua maquilhagem branca além do quimono e do olhar caído no chão, normalmente, levando ao colo um cesto que é mais um dos seus mistérios. Mas é no rio Katsura que tudo acontece. O movimento dos barquinhos ao sabor das águas pouco agitadas, e, por isso, em perfeita sintonia com o país. Acho que é também a cor que me fascina: a harmonia do verde-água, com o azul quarto tons abaixo de Yves Klein e o amarelo dos cascos, a condizer tão bem com a escarpa do monte dos macacos.

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Asakusa, estórias com história

Saí da estação de comboios para encontrar Tóquio antigo. O buliço do movimento humano deslocado da contemporaneidade da megatrópole. Não esteve frio mas foi um dia de chuva miudinha em Asakusa, com as horas a passarem rápido. As pessoas vinham em bloco, e não se pode caminhar depressa nestas circunstâncias. Mas já sabia que Asakusa é uma espécie de lugar de regresso ao passado. Há tradutores que se disponibilizam gratuitamente a guiar-nos pela cidade. Talvez seja um programa de estágio para acumularem horas enquanto guias. É melhor dizer que não com alguma firmeza e seguir caminho, do que mostrar incerteza, pois a dúvida deixa-os por perto com olhar persistente. A paisagem aérea do Asakusa Culture Tourist Information Center permitiu antever a concentração colorida da gente em passeio na Nakamise-dori: os cerca de 250 metros pedonais entre o Templo Sensoji Kaminari-mon e Hozo-mon. Quase 100 lojas com um pouco de tudo o que o Japão tem à disposição: Quimonos e todos os acessórios, gatos dourados, pretos e brancos, a abanar a patinha esquerda, lanternas, chás, cerâmicas, leques, postais, chapéus de palha em bico, doces tradicionais japoneses, e centenas de diferentes outros motivos para levar recordações. Havia meninas e casais de quimono vestido um pouco por todo o lado. E, de maneira geral, as pessoas demorando-se no ofício de se fotografarem. Abordar as japonesas para acompanhar uma fotografia foi outra experiência com resultado feliz. Apesar de tímidas, aceitam e posam, sorrindo. Nas ruas paralelas, na zona dos jardins e dos templos, a oferta das bancas com sumos e petiscos permite que se desfrute de uma espécie de almoço volante: provei uma espetada de polvo bébé, uma das melhores experiências gastronómicas da minha vida da qual não me orgulho. Os templos são muito visitados independentemente da hora do dia, mantêm as portas abertas mas pedem para o calçado ficar à porta e para não se fotografar as alas interiores budistas e xintoístas. O exterior só por si surge transbordante de sinais por onde é possível derivar a atenção. Há também demonstrações de artigos para vender e animais a aguardar donativos em troca de fotografias, como simpáticas corujas que aparentam estar em estado mais domesticado do que selvagem. Outros elementos de carácter mais espiritual de paragem obrigatória são os refúgios com água corrente para higienizar as mãos de forma tradicional e os quiosques onde o incenso é queimado para nos purificarmos. Com o avançar das horas, algumas das lojas encerram as portas e baixam as persianas para revelar novas montras com os magníficos desenhos a retratar a história de Sensoji e as quatros estações. Um espetáculo nocturno diário permanente chamado Persiana Hekiga Asakusa Emaki que quer dizer “Persiana-mural de Asakusa em sucessão de imagens”. Imagens com estórias ilustradas, mas são histórias que se contam melhor com todos os elementos. A lanterna de 4 metros de altura, suspensa na porta de Kaminarimon, a personificar o horizonte de milhares de fotografias que se levam dali. Ao lado, o chinelo Zori gigante em palha de arroz que inspirou as Havaianas. Os paliteiros gigantes que se abanam para sair um pauzinho, mas só depois e inserir a moeda na ranhura da base, depois identificar o símbolo do pau sorteado na gaveta gémea, e retirar a fortuna. Se a sorte não for boa, pode amarrar-se o papel no local para desfazer o destino. A seguir, a caminhada continua. Há que atravessar o rio Sumida, pela ponte vermelha de Azuma seguindo a chama dourada The Asahi Flame a caminho da torre SkyTree para ficar muito mais perto do céu.

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Alegria Nipónica de Viver

Porque eu gosto de pessoas, trouxe do Japão uma ideia de personificação da virtude. Para explicar melhor, senti nesta sociedade uma predisposição particular para praticar o bem, ou seja, uma qualidade moral de disponibilidade em enviar, colectivamente, boa energia aos outros. Não encontrei preconceito no Japão. É válido ser-se como se quiser sem julgamentos. E o país parece pertencer aos japoneses. Apesar de haver turismo, por razões demográficas, são os japoneses que transitam nas ruas em muito maior número do que qualquer outra nacionalidade. Como deveria ser nos outros países, se esta grande máquina redonda fosse auto-suficiente em todos os seus territórios. O espaço público é muito organizado. Peões e condutores respeitam, sem ansiedade, o respetivo sinal fechado dos semáforos. Os comboios são rápidos e limpos, os automóveis obedecem aos limites de velocidade e às regras de trânsito, os Riquexó são levados por homens em passo apressado, entre as bicicletas e os transeuntes nas ruas animadas onde desembocamos a seguir ao silêncio das carruagens do metro. A tranquilidade e a gentileza japonesa não é mito, mas é sem dúvida uma qualquer forma de inspiração geográfica que deveria ser usada como modelo nos outros continentes. É comovente sentir a simpatia na altura das fotografias quando os japoneses percebem que os queremos gravar para levar connosco; é curioso entender a leve indiferença permissiva dos mais irreverentes na rua, de cabelos rosa ou lilás, que quando observados de perto somente seguem caminho importados com as suas vidas; e é surpreendente a aceitação de que os filmemos entretidos na sua cultura. Depois, podemos reparar na forma irrepreensivelmente asseada como se vestem e como, em geral, atuam. Em relação ao estilo, as meias soquetes das meninas, por isso as mais femininas do mundo, que mais tarde encontramos nos bares e nos restaurantes a beber canecas de cerveja em igualdade com os homens. No Japão, há também o esforço genuinamente dado em correspondência às nossas dúvidas de orientação, mesmo que não haja nenhum idioma comum. Nos postos de informação das estações, ajudam-nos com desenhos e sketches feitos no momento. E há outros exemplos relacionados com a conduta profissional irrepreensível: a paciência no atendimento nas lojas, mesmo que por vezes haja sorrisos em troca de palavras que não sabem dizer em inglês; o cumprimento educado do fiscal no comboio, que ao chegar à porta da carruagem, se volta para trás, onde estamos, dobrando a coluna na característica vénia asiática, seguindo depois em frente. E há uma infantilidade contagiante em tudo. Desde as montras das lojas, aos bonecos pendurados nas mochilas das meninas, dos rapazes e nas malas das senhoras de mais idade. Parecem todos pertencer a um lugar animado, onde se envelhece sem deixar de ser criança. A mistura de estilos numa mesma rua de Shibuya ou de Harajuku: as executivas, as colegiais, as irreverentes fãs de manga. E podemos encontrá-los numa purikura store, alterando fotografias entre amigos e risinhos. E porque um viajante é grande parte do tempo fotógrafo, os japoneses abordam-nos nos espaços públicos se nos percebem em apuros a tentar o enquadramento certo da selfie e oferecem-se para nos fotografar. As lojas de Takeshita Street vendem tudo o que possa combinar com Doc Martens e bailes de máscaras e, em Asakusa, como um pouco por toda a parte, para homenagear os antepassados, alugam-se kimonos e as pessoas trajem-se orgulhosamente com meias brancas que dividem o dedo grande dos outros, para o pé ficar pronto para os chinelos tradicionais que se calçam nessas alturas. Os homens usam mala tira-colo e máscaras anti-contágio de cor preta. Os guarda-chuvas transparentes também são peça obrigatória, além das sombrinhas de papel ou tecido para dias de sol, as saias rendadas e plissadas abaixo do joelho. Até os cães são conduzidos em carrinhos de bébé ou dentro de sacos. Para resumir tudo isto, no Japão, como na terra dos sonhos de Palma, podes ser quem quiseres que ninguém te leva a mal.

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