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Visitar uma aldeia Masai

Aqui não faz falta uma cidade. Mas é muito diferente viver esta experiência e depois tentar escrever sobre ela. Penso que temos de colocar uma banda sonora antes de começarmos. Pode ser do África Minha, ou, como a tradução francesa diz melhor Souvenirs d’Afrique. Então, olhamos em volta e sentimos: a verdade absoluta sobre o que chamamos terra, a aridez da paisagem mais elementar e a tranquilidade depositada na natureza desprovida de artifícios. Vemos também o tempo, porque existe tempo para o vermos ali, tão espesso quanto o silêncio, deitados na pradaria. Qualquer coisa enorme entre o amarelo e o castanho. E o céu parece menos azul do que se anunciava em sonhos. Pagamos a taxa de entrada e entramos na aldeia. O povo Masai ergue as suas pequenas casinhas quase sem alterar o horizonte. Os homens e as mulheres vestidos sobretudo de vermelho e azul. Elas cantam, eles saltam. Tudo é feito para nos receberem em alegria. Há um que fala razoavelmente inglês, os outros acompanham sorrindo e nos seus próprios idiomas. Convidam-nos a cantar e a saltar com eles, depois a conhecer o interior das pequenas cabanas erguidas com as estacas das acácias, e cobertas de palha onde o esterco bovino serve para isolar do frio. Apesar da matéria-prima, na verdade, cheira a simples. É bonito estar ali, senti-los como parte da natureza. Diria mesmo um gigante privilégio. Um lugar onde não encontramos nada de aparatoso e supérfluo como temos nossas vidas normais e diárias. Não sei durante quanto tempo ainda os deixarão viver como guerreiros nómadas, envolvidos nas suas mantas Shuka e de lança na mão. Durante a visita, além de nos ciceronearem pela aldeia, contam-nos estórias sobre a educação das crianças, desmistificadas mais tarde pelo guia. Mostram-nos as maravilhas feitas de missangas coloridas que dispõem para vender, e, antes de partirmos, podemos levar o artesanato que quisermos mas convém saber negociar. Eu enchi-me de colares mas acabei por trazer um cinto e uma pulseira que, sem lhe pedir, um masai me colocou no tornozelo. Trouxe também as memórias para transformar nesta e, noutras estórias, e ainda alguma vontade de chorar porque há despedidas que não acabam jamais.

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A Savana Africana

Foi em África – e, mais concretamente, na Tanzânia, em plena savana – que percebi que o objetivo da minha vida haveria de ser o de continuar a viajar e a conhecer. Foi também a única vez recordada em que o entusiasmo em relação à programação da aventura e à própria ideia da viagem foi maior no final. Normalmente, a antecipação das coisas agrega uma certa (grande) ansiedade, que vai decaíndo conforme a aventura prossegue. Mas, neste caso, não. A vastidão deste continente fez de mim para sempre uma outra pessoa. As árvores, os arbustos esporádicos, as gramíneas (ou como se diz, com outra graça, em inglês: summer grass) a cobrirem o solo, os lagos-oásis perfeitos na fotografia,  uma criança masai a pastorear a sua liberdade, as aves aos milhares fazendo a paisagem mudar a cada nanosegundo, e a tranquilidade dos outros animais descansando nos pastos ou partindo em migração indiferentes à espreita dos jipes. Ali senti a felicidade inteira de estar viva, senti a vontade de ter dentro dos olhos e do coração o resto das pessoas. Porque o amor pode ter muitos caminhos mas onde quer que eu vá o melhor de tudo será sempre a natureza.

Manada de búfalosThomson's Gazelle (Antílopes)BúfalosHipopótamo entre cegonhasGirafasZebraMenino e aldeia MaasaiPadrão de cegonhas no céuGirafa

Imagens: Lake Manyara National Park