Liège (Bélgica)

No dia em aterrei em Bruxelas, apesar de ter levantado o carro no aeroporto, viajei sem dados móveis e sem GPS até Liège guiando-me pelas placas e sabendo que o hotel se situava algures no centro. Eu sabia que o hotel era um grande edifício moderno branco de carácter supostamente fácil de identificar. Quando se vai viver para uma cidade nova, especialmente se for uma urbe agitada e o alojamento no centro, convém fazer alguma pesquisa sobre estacionamento gratuito, rotas de acesso mais rápido, pontos de referência. Eu não tratei de nada. Segui na frequência do improviso e com mais volta menos volta encontrei o hotel e um lugar onde deixar o carro a algumas centenas de metros de distância. Mas em boa razão da verdade apareceu-me um menino que ao ver-me indecisa a tentar descobrir o nome da rua e a perceber se era restrita a dístico residencial me interpelou: Vous besoin d’aide, madame? Deveria ter uns 11 anos e chamava-se Pierre. Não sabia onde era o hotel mas guiou-me por meio do seu android até encontrarmos juntos a avenida. Depois era bastante fácil pois ficava mesmo em frente à estação ferroviária. Despedi-me do menino quando li a palavra Yust saliente na parede branca. Depois do check-in voltei ao carro e fui arrastar a mala até “casa”. A palavra parece exagerada mas quando mudo de geografia, a partir da segunda semana já me sinto em casa. E este post era para falar sobretudo do hotel onde fiquei. Na verdade um aparthotel, um studio no centro de Liège: o YUST. Mas o melhor é abrir o link e descobrir.

O trabalho leva-me a mudar de vida muitas vezes. Seja por temporadas longas, ou em projetos mais curtos. Mas em cada experiência, além dos sítios novos, adquiro rotinas diferentes, adapto-me a outros horários. E o mais importante são as pessoas que acrescento. Durante os fim-de-semana aproveito para viajar. Estar em Liège na Bélgica permitiu-me finalmente conhecer Bruges e revisitar o Luxemburgo e os Países Baixos. Nos últimos meses do ano, os dias são pequenos e estes locais enchem-se da luz própria da época natalícia, havendo mercados animados para venda de artesanato, sandes, cachorros, doces regionais e vinho quente para espevitar o frio.

Liège não é a cidade feia que me apregoaram: é uma cidade que acorda cedo, deita cedo. Neste final de ano tinha muitas obras de requalificação, pelo que comportava várias ruas fechadas, sinalizadas, mas promete renascer estupendamente com os carris do comboio a atravessar as zonas principais. Conheci a cidade caminhando muitos quilómetros, atravessando as suas pontes, os parques, museus, escadarias incluindo os 374 degraus da Montagne de Bueren. Experimentando restaurantes, supermercados, mercados locais. E aí a fruta impecavelmente exposta; ou um chá servido em copo de papel do tamanho de copo de café a custar 2,5 euros; os queijos nas roulotes e roupa, muita roupa à venda no marche de la Batte. Beber um Tripick 3 frutado no Tripick e regressar pela simpatia do staff. Seja a que horas for a cidade é pautada pelo barulho das pessoas. E é á forma como as gentes se abordam que desenha a alma dos sítios. Como o homem (de idade pelos quarentas e porte de viking) à minha frente no check-out da cadeia Delhaize a entregar o objeto separador de cliente seguinte, comentando sorrindo sobre a menina da caixa que os enfileirava no compartimento próprio paralelo ao tapete rolante: Sa générosité s’arrête là. Dito isto, em Liège aprendi a apreciar o bom humor belga.

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