Este título merece uma explicação. É luxo porque é o país mais rico e o único grão-ducado do mundo. Apesar de tão pequeno, quase esquecido entre a Bélgica a Alemanha e a França tudo parece funcionar bem sob a governança de Henrique Alberto. Os salários são elevados. Os transportes públicos são gratuitos para a população e estrangeiros. A limpeza das ruas é exímia. Comi salsinhas no pão no mercado de Natal acompanhado de vinho quente, pelo que não posso emitir grande opinião sobre o preço das refeições que, todavia, não se calculam baratas. Experimentei um doce típico, o Kürtos, uma espécie de rolo de massa brioche cozinhado no espeto, que degustei também bem acompanhado de vinho quente, servido com chama acesa encostada ao rum. Acho que a receita de vinho aquecido deveria ter descido dos nórdicos anos atrás mas não me recordo de apreciar-se a sul do Equador a elevação da temperatura a que deve servir-se o néctar dos Deuses. Pelo contrário, ainda este ano no Príncipe guardávamos o tinto no frigorífico para bebericarmos frio. Dependerá, portanto, da temperatura a que está o ambiente, havendo claramente uma preferência geral e denotada para o contraste. Antes de irmos atrás de ímanes de recordação, tomei um capuchino. Éramos quatro e demoramo-nos um pouco. O desenho de uma folhagem à tona do leite não se desfez até que esvaziasse a chávena. Foi a única altura do dia passada num espaço fechado, além das viagens curtas via metro de superfície. Já tinha visitado o Luxemburgo há mais de 15 anos mas, naturalmente, que agora me pareceu um lugar novo. Com a excepção da tonalidade bege-amarelada dos edifícios, que se colara desde a minha memória diretamente para as fachadas. E o facto de haver portugueses em toda a parte. Já o era há décadas e assim se mantém. Este meu povo sabe o que faz, sabe para onde deve ir, em alternativa a um Portugal que progride a passo lento. A neve que vi durante a viagem pode considerar-se também um luxo romântico.











