Sempre quis viajar até Bruges mas ainda não se tinha proporcionado. Quando cheguei não percebi de imediato a tal beleza da “Veneza do Norte” como é conhecida. Estava a chover. Não é que a chuva suprima o belo às cidades mas, quando chove, penso que nos retraímos para não nos molharmos e os olhos ocupam-se mais do chão do que do horizonte. Todavia ainda do carro vi moinhos ladeando um canal perto de onde ficaria aparcado o carro. O estacionamento no centro ronda o inacessível, o que é comum hoje em dia em qualquer importante cidade europeia. E andando a pé percebe-se melhor como tudo está limpo. Burges é especial não só pelos canais mas devido à sua arquitetura de fachadas coloridas e vibrantes e tetos em jeito de triângulos recortados. Apesar do tempo, viam-se grupos grandes de turistas até em passeios de barco. As luzes de natal emolduravam as entradas das Brasseries, as montras. E atrás da imensa camada dourada alusiva à época, exibia-se o tijolo ocre das fachadas, despontando delas cúpulas negras e torres como nos contos infantis. Ainda esculturas nascidas nas paredes e bandeiras no alto a contrastar com o céu cinzento. À entrada do mercado na praça central lia-se “Wintergloed“. Aqui um espaço central aquecido para sentar e comer e, em volta, barraquinhas com oferta gastronómica e bebidas. Muitas pessoas, cães e guarda-chuvas. Nas ruas da zona histórica as lojas revelam sobretudo merchandising de Magritte e Hergé. O foguetão com o objectivo de levar Tintin à lua encontra-se à venda em múltiplos tamanhos. Há murais com estes temas e há paredes de lojas forradas com cervejas belgas. Numa delas eternizara-se a frase de Benjamin Franklin: Beer is proof that God loves us and wants us to be happy. Era o ano de 1706 e mais trezentos anos passados ainda pode dizer-se o mesmo.


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