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Sozinha em Tóquio por um dia – Parte I

De volta a Tóquio antes de seguir viagem de regresso ao Koweit. Tempo para escolher o que quero mesmo visitar e para desfazer alguns mitos ao perceber a verdadeira interacção possível com os japoneses. No final do dia, tive várias certezas. Mas começando pelo princípio: a seguir ao duche, desci do décimo quarto andar para um simpático pequeno-almoço e dirigi-me à estação de Kyobashi, linha laranja com destino em Omotesando. Descobri a claridade da rua mesmo à entrada da Apple, numa das zonas mais movimentadas do distrito para me fundir na multidão a caminho do Yoyogi Park mas primeiro, uma paragem no Tokyo Plaza: a colmeia de espelhos. Ou, aquele lugar onde consegui imaginar-me no interior de um caleidoscópio. O parque Yoyogi é um espaço de famílias ao fim-de-semana, onde os piqueniques, os desportos e o ruído das crianças abundam. Assisti a uma sessão de aeróbica ao ar livre e a um senhor que pintava a paisagem. Segui a pé para o Santuário Meiji em Shibuya: outro lugar agradável para caminhar desde o shrine à entrada, parando para observar os barris gigantes de sake embrulhados em palhinha e outras surpresas que me aguardavam. Os japoneses são tão simpáticos que me abordaram durante momentos-selfie oferecendo-se para me fotografar. Às vezes aceitei, outras não. É, porém, curioso que nunca me tenha acontecido em nenhum outro país. Mas a generosidade nipónica neste dia vai mais longe, e conto na cerimónia à qual tive a honra de assistir. Devido à trovoada e ameaça de chuva decidi parar para almoçar num recinto próprio para isso no centro do parque, depois fui explorar o santuário. Entre todas as imagens que retive, fascinou-me uma árvore em particular.

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Shibuya Crossing

Atravessar Shibuya quando os 8 semáforos fecham, corresponde mais ou menos ao que dizem: umas das experiências obrigatórias para ter em Tóquio, mas porquê? Resume-se tudo ao movimento simultâneo de milhares de pessoas e à energia que daí emana. Do aglomerado de gente que, durante 90 segundos, se liberta das margens das ruas para atravessar, misturando-se, desaparecendo na multidão. E é por serem tantos seres agitando-se num todo, essa própria cinesia humana, a força com uma dinâmica ímpar, que faz com que observemos o acto de maneira diferente. As pessoas baralhando-se nos seus destinos, fotografando-se entre a energia dos outros, numa massa sem grande nexo mas sempre organizada em bloco no minuto e meio que passa. Em volta da localização, a estátua eternizada do fiel Hachikō, junto à saída 8 do metro e em frente ao autocarro verde que é um útil balcão de informação em jeito Hello Kitty. Para distrair o olhar mais acima, as cores saturadas dos neóns e os painéis publicitários dinâmicos nos arranha-céus. Para ver de outra perspectiva o cruzamento, pode tentar-se o Starbucks se não houver muita fila, ou subir ao Magnet do Shibuya 109, que abriu este ano (2019), onde se pode alugar a vista para desfrutar o cenário de um nível mais elevado.

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Alegria Nipónica de Viver

Porque eu gosto de pessoas, trouxe do Japão uma ideia de personificação da virtude. Para explicar melhor, senti nesta sociedade uma predisposição particular para praticar o bem, ou seja, uma qualidade moral de disponibilidade em enviar, colectivamente, boa energia aos outros. Não encontrei preconceito no Japão. É válido ser-se como se quiser sem julgamentos. E o país parece pertencer aos japoneses. Apesar de haver turismo, por razões demográficas, são os japoneses que transitam nas ruas em muito maior número do que qualquer outra nacionalidade. Como deveria ser nos outros países, se esta grande máquina redonda fosse auto-suficiente em todos os seus territórios. O espaço público é muito organizado. Peões e condutores respeitam, sem ansiedade, o respetivo sinal fechado dos semáforos. Os comboios são rápidos e limpos, os automóveis obedecem aos limites de velocidade e às regras de trânsito, os Riquexó são levados por homens em passo apressado, entre as bicicletas e os transeuntes nas ruas animadas onde desembocamos a seguir ao silêncio das carruagens do metro. A tranquilidade e a gentileza japonesa não é mito, mas é sem dúvida uma qualquer forma de inspiração geográfica que deveria ser usada como modelo nos outros continentes. É comovente sentir a simpatia na altura das fotografias quando os japoneses percebem que os queremos gravar para levar connosco; é curioso entender a leve indiferença permissiva dos mais irreverentes na rua, de cabelos rosa ou lilás, que quando observados de perto somente seguem caminho importados com as suas vidas; e é surpreendente a aceitação de que os filmemos entretidos na sua cultura. Depois, podemos reparar na forma irrepreensivelmente asseada como se vestem e como, em geral, atuam. Em relação ao estilo, as meias soquetes das meninas, por isso as mais femininas do mundo, que mais tarde encontramos nos bares e nos restaurantes a beber canecas de cerveja em igualdade com os homens. No Japão, há também o esforço genuinamente dado em correspondência às nossas dúvidas de orientação, mesmo que não haja nenhum idioma comum. Nos postos de informação das estações, ajudam-nos com desenhos e sketches feitos no momento. E há outros exemplos relacionados com a conduta profissional irrepreensível: a paciência no atendimento nas lojas, mesmo que por vezes haja sorrisos em troca de palavras que não sabem dizer em inglês; o cumprimento educado do fiscal no comboio, que ao chegar à porta da carruagem, se volta para trás, onde estamos, dobrando a coluna na característica vénia asiática, seguindo depois em frente. E há uma infantilidade contagiante em tudo. Desde as montras das lojas, aos bonecos pendurados nas mochilas das meninas, dos rapazes e nas malas das senhoras de mais idade. Parecem todos pertencer a um lugar animado, onde se envelhece sem deixar de ser criança. A mistura de estilos numa mesma rua de Shibuya ou de Harajuku: as executivas, as colegiais, as irreverentes fãs de manga. E podemos encontrá-los numa purikura store, alterando fotografias entre amigos e risinhos. E porque um viajante é grande parte do tempo fotógrafo, os japoneses abordam-nos nos espaços públicos se nos percebem em apuros a tentar o enquadramento certo da selfie e oferecem-se para nos fotografar. As lojas de Takeshita Street vendem tudo o que possa combinar com Doc Martens e bailes de máscaras e, em Asakusa, como um pouco por toda a parte, para homenagear os antepassados, alugam-se kimonos e as pessoas trajem-se orgulhosamente com meias brancas que dividem o dedo grande dos outros, para o pé ficar pronto para os chinelos tradicionais que se calçam nessas alturas. Os homens usam mala tira-colo e máscaras anti-contágio de cor preta. Os guarda-chuvas transparentes também são peça obrigatória, além das sombrinhas de papel ou tecido para dias de sol, as saias rendadas e plissadas abaixo do joelho. Até os cães são conduzidos em carrinhos de bébé ou dentro de sacos. Para resumir tudo isto, no Japão, como na terra dos sonhos de Palma, podes ser quem quiseres que ninguém te leva a mal.

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