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A Sagrada Família

Prevê-se que a Sagrada Família fique concluída em 2026, aquando do centenário da morte de Gaudí. Ainda assim incompleta, representa o monumento mais visitado de Espanha. O aspecto que terá no fim pode antecipar-se aqui. Eu não tive educação católica mas considero esta catedral ímpar, pelo detalhe, pela imponência, pela luminosidade no seu interior. Não é de admirar que se sinta uma atmosfera mística neste lugar. E, se a minha alma ficou cheia, pergunto-me como ficarão os corações dos fiéis. Gaudí morou dentro da igreja durante os últimos 15 anos de vida. Dez anos depois da sua morte, por altura da Guerra Civil Espanhola, em 1936, a igreja foi atacada e houve um grande incêndio que destruiu os desenhos iniciais e danificou a maquete da igreja deixada por ele. Hoje em dia, a continuação da obra realiza-se com base no restante acervo do artista e não tanto nos seus planos mais exactos. Apesar de haver muita informação sobre esta obra de enorme importância, a experiência de se estar neste lugar não tem muito a ver com palavras.

 

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Gaudí e Miró em Barcelona

Foi a primeira vez que me dirigi a um lugar reservado através da Craigslist. Hoje em dia o Airbnb está mais difundido. Mas feito o acordo para os dias escolhidos, pagamos e seguimos viagem. Chegados a Barcelona, procuramos o lugar combinado nas Ramblas e, alguns minutos depois, apareceu um rapaz a perguntar pelos nossos nomes. A honestidade a imperar deixa-me feliz e, por vezes, até, um pouco surpreendida. O apartamento condizia com o esperado. Então, tratada a parte do alojamento, organizamos os dias com os pontos obrigatórios. Primeiro visitamos a Sagrada Família que remeto para um outro post, depois, o Parque Güell. E tudo isto é Gaudí. Bonito, cheio de cor, conferindo carisma a Barcelona: pequenos pedaços de azulejo partidos encostados uns aos outros, numa técnica chamada trencadís, que se descobre um pouco por toda a cidade. O terraço, pátio de diversões. Na descida, o réptil ao centro da escadaria. Um lugar de fantasia ao ar livre. Depois a Casa Batló. No seu interior recantos iluminados por luz natural onde uma mistura de azulejos em diferentes tonalidades de azul em degradé fazem transmitir a ideia de se estar no fundo do mar. A seguir a Casa Milá ou, la Pedrera. Edifício belíssimo, de fachada construída em calcário, em linhas curvas como que representando as ondas do mar. Foi no terraço deste edifício que a minha máquina fotográfica caiu ao chão, de objectiva exposta, danificando-se para sempre. Resolvemos o problema numa Fnac próxima. A minha curiosidade maior estava em ver as centenas de obras de Miró todas reunidas num mesmo espaço. E que lugar! A Fundação Joan Miró foi pensada e concebida pelo próprio Miró e arquitectada pelo seu amigo Josep Lluís Sert. Um enorme edifício situado no Parque de Montjuïc que deixa antever uma ampla vista sobre a cidade. Então entramos. As obras parecem ocupar o seu lugar perfeito. Acompanhamos as várias fases do artista. Pinturas, esculturas, desenhos. Do cubismo das paisagens catalãs, ao surrealismo dos símbolos, das cores. A singeleza das linhas, a fragilidade das representações. Parece tudo feito para crianças. É Miró e basta. Eu sou fascinada por cores e, portanto, pelo imaginário deste artista. Inconfundível, diria. As constelações, e a representação dos pássaros e da mulher nos seus trabalhos depois de encontrar o seu estilo mais característico, a conferir carácter e maturidade à sua obra. Agora eu posso imaginar uma parede branca com uma tela azul com uma linha e um ponto de Miró. E encontrar tudo a fazer sentido.

 

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