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Viver em África: Uganda

“Uganda cena!…” dizia-me alguém muito próximo após lhe revelar o país africano que tem um grou-coroado no centro da bandeira, e que me viria acolher durante a execução de um projeto de Oil & Gas. De qualquer forma, de projeto em projeto, a pandemia continua a trocar-nos as voltas um pouco por todo o lado, por isso, vou andando ao sabor desta nova corrente sem fazer grandes planos de me demorar em cada geografia. E o melhor é aproveitar que vim uns tempos para África e tentar conhecer o que é já inolvidável. Ao cabo do primeiro mês, a primeira coisa que salta à vista em Kampala (e nas principais estradas nacionais) é a presença de taxistas de motorizada, os “boda boda“, que são o meio de transporte mais popular entre os Ugandeses. Independentemente da teoria das regras de condução, é aceitável encontrarmos 3 passageiros além do motorista, incluindo crianças, ou objetos de dimensão considerável serem transportados de motoreta nas estradas do país. Os capacetes são apenas ocasionais. E as senhoras equilibram-se bem, sentadas de lado, com as mãos livres e uma confiança que me faz questionar o excesso de zelo europeu. Mais regras no Uganda: fumar dentro do veículo e na via pública dá direito a prisão, e andar de skate é também proibido:

Mas a polícia não atua perante a condução em sentido contrário, talvez por o tráfego ser muito intenso, especialmente, ao início do dia e ao final da tarde. Ou por no meio de tanta contramão deixar de haver um sentido para considerar contrário e um sentido para avaliar como certo. E assim é a vida na capital. Quando subimos para norte, a paisagem muda, aproximando-nos da natureza. Depois de muitas horas de caminho, os motociclistas desaparecem totalmente do cenário. Agora o horizonte é mais denso e verde enquanto o sol se deita e é altura de parar para pernoitar na redoma das redes mosquiteiras do lindo refúgio da Saltek Forest Cottages, em Masindi. De manhã, os macacos bem despertos abrem as hostes em família, trepando e descendo as árvores para nos virem aceitar oferendas de fruta fresca num jogo quase igual de interação homem-macaco. Segue-se a aguardada incursão no Parque Nacional do Murchison Falls, na Provícia de Buliisa, pela grande estrada de asfalto que os chineses construíram, e onde a vida selvagem se encontra à espreita e me permite relembrar as aventuras de há dez anos na Tanzânia. São os babuínos que se atravessam na estrada à procura de comida, as gazelas, e os pássaros. Os big five ainda estão escondidos mas a cerca de 20 Km das cascatas do Nilo, de repente, uma mancha escura sugere algo novo que eu nunca tinha visto: os raros macacos da espécie Colobos Guereza de pêlo comprido preto e branco que se abraçam aos galhos no cimo das árvores deixando as caudas felpudas ao dependuro. Não consegui ainda fotografá-los devido à velocidade da pick-up a caminho das reuniões mas, eu hei-de voltar.