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Doha deserta no Ramadão

A cidade estava deserta. Cafés e restaurantes apagados e encerrados em plena hora de almoço. As pessoas ou recolhidas ou sentadas, no vagar característico do Ramadão. Das janelas e nas muitas paragens pela cidade, vi o contraste entre a parte moderna e em crescimento da cidade, com a parte velha. Sublime. O espaço público é limpo. O Museu Nacional do Qatar foi inaugurado em Março e, quanto a  mim, é a mais bonita obra de Engenharia da minha empresa, Hyundai. Pretende imitar a rosa do deserto. Os falcões, as cavalariças, as galerias de arte e os objectos árabes à venda. Tudo no devido lugar. Mas o Koweit pertence-me mais um bocadinho.

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A terra que não é só feita de gelo

A Islândia é muito mais do que uma terra de gelo. Normalmente, é um céu de nevoeiro a descer, mas que permite ver a grandes distâncias. Respira-se ali a ordem regida pela natureza. É também uma ilha de fogo, de vulcões que se escondem, por vezes, debaixo de glaciares. Onde há, provavelmente, as melhores lagoas de águas termais do mundo. E geysers para vermos a terra viva espirrando água a ferver. Há também cascatas enormes de água fresca a rasgar montanhas. Há planícies verde-musgo sob campos de lava seca. Praias de areia preta e colunas de basalto como colmeias vistas do céu. E as estradas na maior parte do tempo, durante longos minutos, só nos levam a nós. Ao longo da estrada principal, que circunscreve a ilha inteira, há imagens bucólicas, e terrenos a perder de vista. E há cercas de madeira e arame a delimitar esses terrenos. Há animais guardados em vastas áreas dentro dessas cercas. E foi por isso que paramos. Vimos um conjunto de cavalos no pasto castanho. Majestosos, com crinas fortes e espessas mas de porte baixo, e sempre amigáveis. Viram-nos sair do carro e vieram imediatamente ao nosso encontro. Foi por eles, e por nós, que pulamos a cerca. Os cavalos têm esta afinidade com as pessoas. Este tipo de episódios dá-me uma alegria enorme. Os cavalos a galope até nós. Depois, aqueles minutos de apresentação sem palavras, enquanto não consigo deixar de pensar que, ao mesmo tempo, nos estamos a despedir para sempre. Se calhar eles também sabem, assim como nós, que aqueles minutos são pó cósmico que o universo lançou. E aconteceu mais de uma vez, a muitos quilómetros de distância. Campos de cavalos para aproveitarmos a viagem para parar. Se calhar faz parte da aventura, trespassar ligeiramente as proibições. Eu, não sou boa a pesar os prós e contras, deve ser por sentir esta liberdade sartriana que até me pode aprisionar um pouco as vontades próprias. Mas gosto de estar em contacto com os animais, e, neste que é um dos países mais seguros do mundo, apesar do afastamento da capital, e das inúmeras paisagens inóspitas e enigmáticas nos encherem os olhos de mar, eu não tenho receio de nada. Por vezes, apetece assumir que a liberdade nos faz mais espontâneos, ou ali, mais vikings e, sem dúvida, mais felizes, com o Dougy Mandagi a cantar por perto o Sweet Disposition.

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