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Em busca do “Stonehenge” português

A euforia de pisar o Alentejo era evidente. Não é uma boa fotografia porque o vento despenteia-me o rosto e, devido à écharpe, lembro-me sempre do destino fatal da Isadora Duncan, porém, aquele ficar em suspenso no ar serve para eternizar o poslúdio do meu riso desse dia. E isso, de não deixar a menina interior crescer, faz-me sempre sentir feliz. Como sinto um prazer imediato quando me rodeio de campos floridos e sempre que respiro o cheiro da terra. É o tal amor à natureza, que me foi passado pela minha mãe, nas múltiplas formas de o demonstrar, como o gosto em abraçar árvores, uma sensação de bem estar que já pus em prática em muitos cantos do mundo onde existem árvores e a elas me é permitido o acesso. Mas o objectivo desta viagem era encontrar o Cromeleque dos Almendres que se encontra um pouco escondido em Évora, mais precisamente em Nossa Senhora de Guadalupe. Um lugar recôndito, com esse monumento feito de pedras gigantes de granito, edificado (pensa-se) há cerca de 7 mil anos, longe de Arquimedes demonstrar a lei da alavanca e, portanto, deixando em aberto a passagem dos Nefilins pela Terra. Curioso ser um conjunto empedrado muitíssimo mais antigo do que o conhecido Stonehenge em Wiltshire ou o Círculo de Dromberg em Cork na Irlanda. Por outro lado, este é um lugar sagrado no Alto Alentejo que remonta ao início da civilização e justifica a excursão porque (mesmo com toda a informação em teoria) a surpresa do que se encontra é grande. Após o improvisado espaço destinado ao estacionamento, seguimos a pé no caminho de terra batida, para contemplar e tocar os perto de cem menires voltados a nascente a subir a colina. Monumentos alinhados com as constelações e, sábia e remotamente, com os solstícios de Verão e de Inverno. O culminar do trajecto encontra-se em propriedade privada, vedada por rede malhasol, após um estreito troço ladeado por silvas, e a mais de um quilómetro de distância do restante grupo de pedras, sob a forma de um monólito isolado, mais alto, como um dedo de gigante a apontar o céu. Ou, como outros defendem, um elemento fálico símbolo do sagrado masculino para representar ideias de fertilização. Não se pode adivinhar em rigor o figurado que as enormes pedras polidas teriam para os nossos antepassados, mas (antes de descer até à Pousada do Alvito) escolho como Gedeão uma “pedra cinzenta em que me sento e descanso” para honrar as entidades superiores, detentoras de todas as respostas.

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