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Arashiyama, o sítio mais bonito do mundo, a seguir ao outro e ao outro…

Vontade de ficar ali. Contemplar o que o mundo mostra. Mas primeiro atravessar a pequena floresta de bambus: um trilho curioso mas que não corta a respiração a quem já viu e tocou nos grossos troncos dos bambus gigantes do Jardim de Balata. Embora que, aqui, acresça a nipocultura: os rickshaw que abundam, apesar de o caminho ser estreito e curto, levando os carros num corredor paralelo até desembocarem junto a um cemitério atípico que se vê entre a paisagem de canas. No início, os já habituais quiosques que vendem ora mariscos ora doces tradicionais ou mesmo os fotografáveis copinhos com gelados. A seguir são lojas de chinelos, chapéus, leques e outros acessórios. E depois os templos, as pessoas e a sua interação religiosa com as mensagens da fortuna penduradas nos portões dos desejos. Em Arashiyama parece andar toda a gente na rua, trago uma menina vestidas de quimono que aceita ficar numa foto comigo e, finalmente, cruzo-me com gueixas. Inconfundíveis pela sua maquilhagem branca além do quimono e do olhar caído no chão, normalmente, levando ao colo um cesto que é mais um dos seus mistérios. Mas é no rio Katsura que tudo acontece. O movimento dos barquinhos ao sabor das águas pouco agitadas, e, por isso, em perfeita sintonia com o país. Acho que é também a cor que me fascina: a harmonia do verde-água, com o azul quarto tons abaixo de Yves Klein e o amarelo dos cascos, a condizer tão bem com a escarpa do monte dos macacos.

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‘We’ll always have Paris’

Foi no Casablanca que ouvimos as eternas palavras de Rick para Ilsa. E, na verdade, conquistamos esta cidade da mesma maneira, trazendo-a no regresso. E os momentos passados em Paris, viverão para o fim das nossas memórias. Chegamos no dia da Tomada da Bastilha, o que quer dizer que avistamos a Torre Eiffel vestida de todas cores possíveis de fabricar com fogo de artifício, naquela noite em que o mundo inteiro olhava o céu. Paris parou em redor da torre e toda a gente quis lá estar. Mas antes disso, este feríado nacional significou dar uma volta gigante para fugirmos às ruas cortadas da capital. A polícia não nos deixava passar e acabamos por fazer um circulo maior que nos permitiu atravessar o rio e encontrar o hotel. Este ficava muito perto do Louvre, porém, decidimos não entrar no museu. Não bem devido às filas, mas porque eu, em questões de arte, considero-me contemporânea. E em relação à Mona Lisa, vi, há longos anos, uma cópia fiel no Museu do Prado, que não foi Leonardo da Vinci a realizar. De qualquer modo, só colocando uma ao lado da outra para encontrar as diferenças. Mas renegando o Louvre, tive a alegria de entrar no Pompidou. Ver outra vez Rothko, ver a via negativa dos girassóis de Van Gogh por Mark Alexander, e, surpreendentemente, encontrar as esponjas azuis de Yves Klein, entre inúmeras instalações modernas que me deixam sempre a pensar que a arte nasceu para nos fazer pensar. A própria cidade é um museu, e, como as férias não foram longas, prefiri dirigir-me às áreas mais interessantes de Paris como o Moulin Rouge para comer gelados ao Sol. Fomos também à procura do muro dos Je t’aime em Montparnasse, onde decorriam filmagens e tivemos de esperar para aceder ao jardim e desvendar como dizer que se ama a quem se ama nos outros idiomas. Fomos à Basílica do Sagrado Coração em Montmartre, onde Luis IX a cavalo divide o céu branco com Joana d’Arc recolhendo as nuvens no manto. Pude atravessar muitas vezes as pontes e passear nas margens do Sena, e até deixar um cadeado na Pont Neuf. Vi uma mulher vestida de noiva provavelmente acabada de casar. Vi dias cheios de sol. Vi a luz do Père Lachaise, cumprindo um desejo antigo: há muitos anos durante um interrail à Grécia eu tinha feito um desvio propositado a Paris e encontrei o cemitério fechado. Agora a cidade tinha sido alvo de alguns atentados: havia um camião incendiado no centro. Do género de acontecimentos que nos vêm lembrar que a Europa já não é o lugar pacífico de outrora. Mas depois disto tudo, o que nunca irei esquecer foi o homem que vinha no metro e levava um livro aberto na mão que olhava atentamente, e eram pautas que só ele ouvia.

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