Os Barcos-Cesto em Cam Thanh (Hoi An, Vietname)

Cam Thanh fica-nos a menos de uma hora do hotel que escolhemos no centro de Hoi An e é mais uma boa razão para se lá ir. A experiência de andar nos barcos-cesto é uma verdadeira imersão na cultura local e nas tradições antigas da pesca vietnamita. Os barcos redondos assemelham-se a metade de um coco, e talvez por isso se chamem Coconut Basket Boats. Mas são feitos de bambu, e são um meio único de explorar as águas calmas do rio Thu Bon e os seus canais. Tivemos a sorte de sermos recebidos por uma timoneira muito bem disposta que nos entrega os típicos chapéus de palha em bico e cujas poucas palavras que conseguia dizer em Inglês se seguem: “Number One” e “Gangnam Style”. Curiosamente, a música de fundo que animava o espetáculo era precisamente essa – uma mistura inusitada de tradição e pop, que dava ritmo ao passeio e aos nossos movimentos. E era ali, naquele cenário, onde todos se reuniam: uns para entrar na dança dos cestos, outros apenas para observar os corajosos dentro do cesto, perdidos em risos e gritos enquanto o barco girava. E girava bem. A verdade é que os barcos não são tão instáveis quanto parecem, e quando embarcamos no cesto, não sabemos se vamos parar à água. Mas, de alguma forma, isso fazia parte da diversão – os rapazes que punham o cesto a girar tinham uma habilidade impressionante, equilibrando-se e controlando o barco com a destreza de dançarinos, evitando que o cesto virasse ao contrário, enquanto nós tentávamos manter-nos lá dentro. Quando entramos no barco-cesto para rodarmos com ele, deixei o telemóvel com a senhora que nos esperava no primeiro cesto. Ela, com uma generosidade sincera, oferece-se para filmar o momento. O pensamento que me atravessa é um misto de receio e diversão: “O que acontecer, vai ficar gravado.” Com isto em mente, sinto-me mais relaxada para viver o momento, ciente de que, no final, poderei rir de mim mesma ao ver-me de fora. Quando o cesto começa a contrabalancear encosto-me em oposição ao Pedro mas não encontro grande jeito para me segurar com as mãos. Ao ritmo do Gangnam Style que toca muito, mas muito, alto o rapaz em pé no centro do cesto vai por meio de um remo fazendo o cesto girar, talvez o mais depressa que consegue, e eu apercebo-me dos meus gritos enquanto vejo e ouço o Pedro a rir. Às tantas, sinto os ossos ao fundo da coluna a baterem na madeira do interior do cesto e em dor ocorre-me pensar na falta que ali fazem umas almofadas para a dança dos cestos ter durado mais tempo. De volta ao nosso transporte, ainda tivemos a oportunidade de ver lançar uma rede de pesca amarela, capturar caranguejos e poderíamos ter mudado outra vez de cesto para cantar um pouco de karaoke. Cada uma dessas paragens tem um preço extra, mas são momentos que tornam o passeio mais completo, como se estivéssemos a percorrer uma verdadeira feira de diversões fluvial. No caminho de água há um fotógrafo ambulante sob um chapéu de chuva capturando algumas fotografias que no final podemos escolher para comprar. O programa está pensado com várias variantes e eu gostei.  Não apenas pelas experiências divertidas e pelos desafios de equilíbrio, mas também pela maneira como tudo se combina: a tranquilidade do rio, a energia do Gangnam Style e a generosidade das pessoas locais. Acho que esta experiência só acontece ali e tudo isso faz de Cam Thanh um lugar inusitado – um pedaço do Vietname onde o tempo gira em círculos, tal como aqueles cestos.

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