Ficamos no centro no “Serenity Villa”. Junto das barraquinhas, do mercado das rãs e das lagostas, do gelado cortado a rolo. De um tudo e nada de coisas que se vão regateando. A minha parte preferida eram as esplanadas ao final o dia para beber cerveja local, não deixando estupidificar um diálogo de ideias. No limite do mercado ou nos bares com música ao vivo. Mas é claro que são os barcos velados por lanternas coloridas que apelam à visita de (acredito ser) a maioria das pessoas. A luz e o papel das lanternas frágeis a fluir na corrente, a passar as pontes. Canoas. Toda a cor num vai e vem que cumpre mas não demora: há sempre mais um cliente disposto a descer, a entrar no barco. E em redor, toda uma área de restaurantes e lojas a preço de turista. Mas é sobretudo isto, intensificando-se ao cair da noite: as luzes a parecerem mais fortes pelo escuro carregado da noite a acomodar-se mais fundo. Depois observamos a migração das pessoas nas filas para os barcos: a fila para as fotografias. É sempre possível escolher fazer outras coisas diferentes mas a vocação migratória para as redes digitais vem ditando muito este ‘desadmirável’ mundo novo. Um novo clássico que começa talvez a cansar todos um pouco. Eu paguei por uma fotografia colocando-me à frente de umas das lojas de lanternas criadas com esse propósito. Gosto de fotografia, como gosto de escrever estes textos, sendo uma extensão da memória e até da imaginação. Ninguém se lembra de tudo. Lembro-me frequentemente de que não me consigo lembrar de tanto, tantas vezes. Vivo, faço, mas é esta parte da reflexão que realmente me fascina. É só depois da experiência que decidimos se valeu a pena o dinheiro e o tempo, ou ambos. Às vezes sim, outras não. Valeu muito a pena a experiência das massagens de uma hora mesmo ao lado do hotel. A comida de rua, mais até do que dos restaurantes onde gastamos bastante dinheiro. É que por mais jeitos de sofisticação e avanços, o mundo não dá sinais de mudar. Há certos valores que não são locais, não são regionais e muito menos podem rotular nações inteiras ou até continentes. Porém, gosto de acreditar nas palavras do povo. Comprei um postal de um dragão perfeitamente recortado num tom de vermelho forte. A persistência de uma jovem que passava que contou tratar-se de um negócio de família fez-me trazer até dois postais (o segundo ofereci). Segundo ela não havia dois postais iguais. Até ao final das férias vi esses mesmos postais em múltiplas bancadas, edições em série, portanto. Contudo, não se perde assim a sede de aventura, e principalmente a de encontrar a verdade.










