Desde Ho Chi Minh apanhamos um avião e seguimos de Grab para o hotel. Os motoristas não conversam muito; alguns por bloqueio linguístico em relação ao Inglês, outros sem iniciativa acabam por demonstrar a sua gentileza e simpatia conduzindo-nos em viagens tranquilas onde se vai desfrutando de todo um mundo novo que se vê das janelas e isso parece suficiente enquanto os passageiros vão (vamos) conversando nos próprios idiomas, que foi normalmente o nosso caso. Da Nang chegou-nos primeiro após de um portão principal sem deixar antever a entrada (enorme hall sem portas) do resort. Escolhemos o Sandy Beach Non Nuoc Resort por ser o mais afastado da cidade e com uma espécie de praia quase privativa devido à própria localização. Embora daí venha a desvantagem da corrida diária ao Grab para visitar quase tudo e para regressar nos finais dos dias. No entanto, a comida maravilhosa, as várias piscinas e a praia vazia de água morna, aliadas ao serviço de excelência nos tenha feito aumentar o tempo estimado inicialmente. Dizem que Setembro não é um mês bom para visitar o Vietname e realmente o furacão Yagi impediu-nos visitar o norte do país e causou a morte a 296 pessoas só no Vietname e prejuízos na ordem dos 1,5 mil milhões de euros mas mesmo que houvesse um dom adivinho humano para estas vontades da Natureza (além das previsões terem sido grandes alertas) eu teria voltado a escolher este país para visitar no mês de Setembro.
Em Da Nang andamos bastante a pé, visitamos o Cho Hàn porque os mercados são lugares extraordinários para encontrarmos as coisas mais surpreendentes: então, depois de corredores de bonecos de croché, cafés, mil e duas especiarias, echarpes, malas de contrafação, sacos de manga em rebuçado (e tantas outras ´delícias´que jamais experimentei), acessórios de cozinha, objetos de madeira, japamalas budistas, etc; eis-nos chegados à área da restauração e claro únicos ocidentais; pedimos umas Tiger e o menu e sentamo-nos para degustar a comida local sem o artifício dos restaurantes. A escolha Lau foi um bocadinho arbitrária e encheu-nos as medidas depois de um pequeno almoço majestoso no hotel poucas horas antes, mas ainda de volta das tigelas e dos pauzinhos vimos chegar um balde com algo fresco que nos sugeriram experimentar. Gostava que pelo menos uma vez na vida todos os seres humanos do planeta tivessem o privilégio de meter na boca uma espécie de gyosas de massa gelatinosa de nome Bánh bột lọc, transparentes que nos fizeram chorar por mais durante o almoço. Atravessando duas rua, encontramos o Út Tich cafe. Bela deco e belo café. O café no Vietname é conhecido como um dos melhores do mundo.
Continuamos a nossa jornada a pé por Da Nang e decidimos atravessar a Ponte do Dragão que tem 666 metros de comprimento. Devido à chuva noturna nos dias em que estivemos em Da Nang acabamos por perder o espetáculo que acontece todas as sextas-feiras e sábados às nove da noite em que o dragão cospe fogo sobre o rio Han. Em contrapartida, com a câmara em modo temporizador saltamos repetidamente sobre o mesmo sítio para eternizar os pés fora da ponte com o dragão a testemunhar por trás. Do outro lado, quando chegamos à praia, encontramos uma área larga para caminhar com as letras em frente às palmeiras. Quanto mais cidades visito mais encontro estes símbolos que parecem ali estar, prontos para as redes sociais e o turismo responde: eu respondo também. É mais uma paragem para não esquecer um lugar ou um momento. Não gosto de correr as cidades; gosto de as aproveitar. Não traz mal ao mundo brincar com algumas poses em frente às letras, até porque tem uma certa fun parte que compreende quem quiser compreender. Paradoxalmente, penso que se embarcou também numa moda mais ou menos recente de não filmar nem fotografar nada. Entendo-a nos eventos, nos concertos, porém, na rua não me faz muito sentido. Na rua parar para fotografar ou filmar objetos, pormenores, o mar a mexer, as estátuas particulares paradas nos lugares, acho que é criar a própria experiência e ajuda a lembrar tudo mais tarde.
Da Nang tem hotéis encostados a mais hotéis na primeira linha de mar; perto da praia há bares que servem batidos de fruta, granizados, ou o que se quiser mesmo que não venha exatamente aquela mix de ingredientes do menu. Há sempre um sorriso e um ato para satisfazer desejos. Mas nessas áreas da cidade, muitíssimo mais turísticas, está muita gente com o pé na areia e mesmo em Setembro. Depois outra curiosidade é os vietnamitas fazerem ginástica de grupo na rua. E a alegria é contagiante. À noite jantamos por ali, ensinam-nos a executar os próprios rolinhos de vegetais
Curiosamente um dos pontos mais turísticos de Da Nang é a Murble Mountain. Para esta incursão escolhemos fazê-la com guia e van, incluindo um jantar no final do dia na cidade antiga de Hoi An cujo esplendor se prende com os passeios de barco com lanternas. Só percebemos o quão perto nos encontrávamos da Marble Mountain quando a van nos veio buscar ao resort, sendo os últimos a ser recolhidos. A primeira paragem foi na loja de estátuas de mármore em Hoa Hai. É habitual nas excursões em grupo este tipo de acontecimento com duração de cerca de 30 minutos. Depois, seguimos para a montanha de mármore Thuy Son que é um complexo que merece muito ser visitado. Pode usar-se um elevador (0,5€ por viagem) ou subir os 156 degraus que foi o que fizemos. Gostei muito deste lugar sobretudo pelo interior surpreendente das cavernas convertidas e santuários de Tam Thai, Tu Tam e Linh Ung. E em particular o pormenor da escultura deitada escondida atrás de um Budha na caverna de Tam Thai. A pagoda de Pho Dong é também inconfundível. Foi um dia quente de chuva e quando percorríamos os animados 20 km de carrinha até Hoi An apercebemo-nos que não iria ser possível visitarmos a cidade antiga devido à tempestade. À chegada a uma rua próxima do restaurante, descalçamo-nos, arregaçamos as calças e caminhamos molhados na estrada até aos joelhos. Foi assistir à realidade da falta de saneamento básico da cidade antiga mas também o momento que mais me fez rir no decurso do dia. Uns dias mais tarde acabaríamos voltar a Hoi An ficando alojados no centro da cidade mas daquela vez apenas degustamos uma excelente refeição na companhia do grupo e por decisão do grupo decidimos voltar para os respetivos alojamentos.





































