Novo Ano, Novo Começo (Meco, Portugal)

12 badaladas, 12 passas, 12 desejos, uma taça de espumante e o ano de 2022 nasceu! No jardim espantamo-nos por esta noite portuguesa estar amena, quase quente. Ocorreu-me pensar na fogueira em atividade nos céus e agradecer à vida. Apreciar daqui da aldeia as estrelas lá em cima, como sementes de sonhos, tremelicando. Esta noite, brindamos a esse momento em alegria, e conseguimos dizê-lo no rosto. Ouve-se o fogo ao longe. Afinal ainda é bom viver a par da natural incerteza do futuro. É só mais um pulo quântico no desconhecido, mais uma volta, um novo processo de criação rumo à glória da redescoberta, a grande viagem rumo a nós próprios. É preciso não ter medo: o amor pelas coisas expande e liberta, e está na nossa existência. É o princípio anímico para crescer e evoluir. Vamos olhar outra vez a natureza em volta, aceitar que o horizonte não se antevê por entre as árvores, mas sentir esse mesmo horizonte simplesmente por saber que ele está lá, em espera, como o tempo.

Havemos de saudar o Atlântico pela manhã, tomar-lhe o pulso, a força que impele o mundo a chegar-nos à costa. Sentir o poder do conjunto, da vida inteira num dia. Olhar esta natureza-Mãe, este mundo-Terra e descer-lhe em vénia, agradecendo a Sua hospedagem. Vamos experimentar esse consolo espiritual. Vejam as árvores cheias de folhas como os livros. Curioso assim que a Natureza escreva tanto a nossa história… Ainda ontem aprendi outra importante lição: a de que é preciso cortar uma flor para deixar nascer a seguinte; e voltei a encantar-me com a poesia da morte delas. E voltei a entender que tal como nós a Natureza precisa de ressurreição. Todos precisamos de renascer repetidamente. Agora é tempo de inspirar profundamente 30 vezes antes de entrar no mar sempiterno. Somos da mesma água, mesma matéria-prima. Esqueçam o frio. Esqueçam o medo. A viagem recomeça aqui!

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