
Maio é o meu mês e esta viagem veio um pouco por acaso. Há muito que me queria encontrar com a Suíça, especificamente com as montanhas da Suíça. O Zé falava das montanhas como seres agigantados que nos podiam engolir se se curvassem e eu estive sempre curiosa. Mas nunca fui dada ao ski nem nunca fui dada a alpinismo, nem percebo o que leva as pessoas a subirem quilómetros em serra, para chegarem ao cume e regressarem para trás. Eles respondem-me que vão “porque a montanha está lá”, como se esperasse a conquista humana e o abandono a seguir. Eu acho que as montanhas são criaturas solitárias e silenciosas, que não carecem do afago humano para subsistirem. A natureza impera na sua alienação avassaladora, longe do Homem, resistindo, crescendo e sobrevivendo-lhe. Quando penso que quero ver as montanhas, é como de facto as vi: a sua magnitude desde o teleférico ou desde o chão, na sua altivez marginando-nos a estrada. A Suíça é um país pequeno de montanhas imponentes. É um país lindo, onde a neve remanescente no verão não desilude quem, como eu, não ama a neve. A minha relação com a neve sempre foi mais assertiva do que admiradora: olho o cobertor imaculado de gelo revestindo as serras e penso como a natureza é reconciliadora na sua pureza, uniformando os seus pontos mais altos da terra com aquela beleza cândida, como se o branco das nuvens deixasse uma parte da sua água ali deitando-se, serenamente, porém, é tudo apenas frio solidificado; é somente água cristalizada, moléculas bem agarradas de hidrogénio e oxigénio. Prefiro sair do carro a caminho de Grindelwald e avistar as montanhas ainda verdes ladeando a via rápida, e ver cascatas da mesma água viva descendo sem parar, e as vacas a pastar perto das pequenas casas de telhados em bico. O teleférico apanha-se em FirstBahn. Seguimos comodamente suspensos pelo carrinho de cabos até Waldspitz a 1903 metros de altitude; de onde também se avistam lamas. O topo da Europa fica em Jungfraujoch. Não tiro o gorro da cabeça, nem o buff polar do pescoço. A paisagem segue lenta em três planos: pastos de relva perfeitamente cortada, pinheiros e montanhas atrás pintalgadas de branco-neve puxando o nosso olhar para lonjuras.































Na Basileia faz sol. Brindamos a brincar ao verão suíço, como se estivéssemos em Berlim ou Bruxelas. Além de todas as paisagens frias ficou o calor humano: porque a Suíça foi a generosidade do Nestor em receber-nos na sua casa, a super companhia da Catarina sempre divertida a alinhar em cada aventura e a doçura da Rúbia que espero reencontrar em breve. Os dias que anteciparam o meu aniversário deste ano de 2025 foram coloridamente bem passados e, no final, lá soprei a chama (sem vela) antes de embarcar de volta a Portugal.