O jardim oriental à beira mar plantado

Quando se está em Lisboa, só é preciso fazer 70 quilómetros para encontrar um pouco de Ásia. Na verdade, são 35 hectares que surpreendem em homenagem aos dois budas gigantes de Bamiyán (Património Mundial da UNESCO, no Afeganistão) que foram destruídos em 2001, ao longo de 25 dias, pelo governo talibã. O Bacalhôa Buddha Eden foi criado como símbolo de protesto. Apesar da grandiosidade do espaço, podemos viajar num pequeno comboio turístico que reduz as caminhadas e as distâncias. Não é o mesmo que subir no bondinho para o Corcovado mas são coisas construídas à nossa medida. As comparações nem têm sentido mas não existem paisagens inúteis neste planeta, por isso, eu nunca compreendi Tom Jobim nesta canção.  Voltando ao nosso jardim agigantado, muitas coisas ardiam ao sol fazendo boas fotografias. Eu fixava o olhar como agora me lembro: há figuras míticas que parecem ter nascido ali, petrificadas após um passeio de verão; e colos de budas dourados onde nos podemos sentar. Em toda a parte, o ambiente é bastante relaxante e colorido, e, espreita-nos através – não dos olhos mas – do riso permanente deles, aquela humildade asiática que engravida sorrisos na cara das pessoas. Mais do que um parque ajardinado, trata-se de um museu ao ar livre. E nem aqui há pretensões de ser uma outra coisa. Ao lado, depois da baía das palmeiras, a secção de esculturas africanas em pedra com bancos para contemplação e pausa. A seguir, uma outra área onde encontramos um desfiladeiro estático de soldados em terracota pintados à mão. Tudo isto com muitas palmeiras em redor, lagos com as carpas Koi do Japão e nenúfares. Muitas coisas de que gosto de desfrutar. Então encostei-me a uma escultura de pedra levando comigo o meu mantra Nam-myoho-renge-kyo, a pensar no circuito budista em Banguecoque e, depois, fomos comer um gelado.

Atrás, a grande roda do mundoVista da escultura de David Breuer-WeilCabeça de Buda deitadoPés de Buda deitadoCoreto com vista para a outra margemEncostar docemente na pedraAquele que ri, felizLavar a cara com o solEntre budas