A razão das coisas

Registar o que temos nosso de mundo. Pode ser a água a levar-nos. Pode ser o vento, ou qualquer outra coisa sem nome que nos arranque os pés dali. Uma viagem pode ser um atravessar de estrada, um trabalho num país diferente, umas férias para celebrar que estamos vivos, ou até mesmo um olhar no qual se repara. Mas, sempre que viajamos, expandimos o nosso conhecimento porque lidamos com o novo, aprendemos a enfrentar imprevistos e desenvolvemos a auto-confiança. O intercâmbio cultural faz-nos ser mais tolerantes porque percebemos que existe o lugar de um outro. É importante ir conhecer para ter mais mundo porque os lugares onde não fomos não existem nas nossas memórias, então é como se não existissem. Viajar transforma-nos. ‘A vida é um sopro, um minuto. A gente vem, conta uma estória e vai embora.’ disse Niemeyer. E é mesmo assim nesta velocidade, nesta ordem. E é mesmo assim que cá estamos de passagem. Eu conto estórias com imagens da minha vida, às vezes acrescento música e umas pedrinhas de sal, porque a água salgada lembra-me o mar, e o mar leva-me à praia e a praia chega-me o sol à pele. Viajar deixa-nos sonhar com viajar mais. E devemos agarrar os nossos balões. Ir para longe, o mais longe possível para nos enchermos de vontade de voltar. Há mesmo alguns privilegiados que por ali flutuam, quase sem gravidade, avistando-nos como um ponto azul do espaço.